12 de agosto de 2013

Vivendo a dor de saber
Que esse céu é tão longe
Que tudo o que nasce
Um dia parte

Até meu carinho
Até nosso amor.
Até você 



Se desmorono ou edifico,
se permeneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

(Fragmento de "Motivo", Cecília Meireles)

Todo Sentimento (Chico Buarque)

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.
Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.
"Escolher a própria máscara é o primeiro gesto voluntário humano. E solitário." 

(Clarice Lispector)

11 de agosto de 2013

Pessoa

"Que de Infernos e Purgatórios e Paraísos tenho em mim - e quem me conhece um gesto discordando da vida... a mim tão e plácido?"
"(...) Não desembarcar não tem cais onde se desembarque. Nunca chegar implica chegar nunca."

(de "O Livro do Desassossego", Fernando Pessoa)