No templo
Há um medo
que se esconde
atrás da porta.
Torta a boca,
pouca a fala,
olhos no chão.
Um menino
de olhar esbugalhado.
tão calado
que parece
que morreu.
Não sou eu,
que o vejo
do meu canto.
Sem espanto,
sem buscar explicação.
Há um medo
que me fita e paralisa
com seu olhos
como de um congelador.
Um vitral
impede raios penetrarem
e tentarem derreter toda essa estase.
Quase chega
alguma luz,
alguma cor.
Há um homem
semi-nu
pendido à cruz.
Há pessoas coloridas
no vitral.
Há um medo
de pecar
ou de viver.
por Adauto Suannes